domingo, 26 de janeiro de 2014

semanal

Sempre diferente. Era, sempre diferente, ainda que o dia e hora fossem sempre o mesmo.
Uma rotina sem marcação, subiam ao quarto sem atenção aos degraus, entravam no quarto sem estranhar a luminosidade e conheciam a cama que era a mesma de outras alturas, bem longínquas, onde se gravou um futuro sem fim, num desejo que nunca morrera.
O dia do costume marcava cruzes aos calendários anuais.

Sempre sedentos do que faltava. Amavam-se sem conotação de amantes sociais e fodiam como se o próximo xis nunca viesse a ser cruzado. Não tinham obrigações ou rotinas de sexo, não se cumpria a exigencias. Não existia limitações ou travamentos, mesmo nos dias lesados por tristezas emocionais. 

Acontecia, por vezes, um ser barrado pelos constrangimentos da vida, que o impediria de comparecer àquele quarto de sempre. Ainda assim, não nasciam sentimentos de troca, de perda ou de morte. Despi-se só, tocava-se, amavam-se ao sabor dos cheiros emaranhados pela última vez e descia feliz à cidade. 

"A beleza do espírito, causa admiração; a da alma, estima; e a do corpo, amor." Bernard Fontenelle

17 comentários:

Shiver disse...

A bela rotina do prazer ;)*

The Perfect Stranger disse...

o caminho de corpos suados, sabor de palavras que intoxicam,em marés de prazer.sempre diferente, sempre diferente, por isso vicia.

JLynce disse...

Perfeito!

Vício de Ti disse...

Situação difícil de manter por um longo período de tempo ... há sempre aquele querer saber um pouco mais :)
Contudo enquanto acontece ... é absolutamente deliciosa :)

Gostei de tudo :)

Beijo

xilre disse...

Podem os encontros permanecer sincronizados? Se dessincronizarem -- que acontece aos amantes: voltarão a acertar(-se) pelos relógios?
Excelente metáfora: "o dia do costume marcava cruzes aos calendários anuais."
Gostei da intensidade e do ritmo.

Boa noite :)

(Ela) disse...

Sem conotações. Mas, perfeito. :)

Beijo d'(Ela)

Leão da Estrela disse...

E de repente veio-me à memória "O Último Tango em Paris"...

É bom, muito bom, enquanto o mundo exterior ficar lá fora. E a rotina não tomar conta deles.

Voltando ao filme. Também usavam manteiga?... :))

Jinhos, Laidinha!

Baby Suicida disse...

Shiver, há que saber acontecer.

Aperto conquistador.

Baby Suicida disse...

The Perfect Stranger, no marasmo não acontece nada.

Aperto perfeito a ti

Baby Suicida disse...

JLynce, obrigada

Aperto cheiroso

Baby Suicida disse...

Vício será caso para dizer, é um vício!

Aperto doce

Baby Suicida disse...

Xilre, há que não questionar, mas deixar acontecer.

Aperto especial

Baby Suicida disse...

(Ela), obrigada

Aperto como tu, lindo!

Baby Suicida disse...

Leão e que bela recordação, livro que voltarei a ler :)

Aperto de juba

Pedro Lopes disse...

Encontro perfeito.
Com o mistério que se quer e com prazer que baste…

Tomates e Grelos disse...

Rotinas ocasionais, não em tempo mas em forma.

I Duckman disse...

faz-me lembrar este meu texto:

http://itsnotyouitsme-mp.blogspot.pt/2014/02/o-sexo-tinha-hora-e-local-marcado.html