quarta-feira, 7 de maio de 2014

cabeças

para o legionário;


põe-me a mexer, transporta-me, força-me a mover.
fala comigo sem produzir som, um falar falando, sem desmoronar, fiel ao me olhar.
acena-me o tempo, diz que passou demais, precisa (me) respirar.
e eu sigo, vou, por pequenas linhas, como duas rodas no mesmo trilho.
nunca se tocam.
ele assiste, num traduzir fácil e gingão, julga-se a sentir.
ainda assim leva-me!
leva, segura-me e gira, por aí...
leva-nos um dia, 
como quem perde cabeças. 

sábado, 19 de abril de 2014

área VIP

Dar o cu é bom!

Dar o cu é bom e não tenho vergonha de assumir isso.
O cuzinho é a área VIP, que poucos conhecem e para entrar é necessário merecer.
Sentir um pau entrando na bunda, é uma sensação quase indescritível, principalmente se bem excitada e molhada, a ponto da lubrificação escorrer e facilitar a penetração. 
oh Leninha, como eu gostava de ter um tête-à-tête contigo, assim mesmo de frente, caso tenhas dúvidas, olhos nos olhos e explicavas-me tim-tim por tim-tim, como fazer! É que agora serve-me um pau, com uns 3 cm de raio, que raios, me parte toda!!!

"Quanto mais difícil, penosa e dura é uma coisa, tanto mais se obstinam os homens, tanto mais a querem." - Galiani

sexta-feira, 18 de abril de 2014

e ninguém está aqui para foder!


maluco(a)? malucos somos todos!
"quem passa muito tempo nesta aldeia,
sofre, certamente, de alguma patologia
pouco saudável."
aos malucos da minha aldeia, santa sexta.feira
"com o engodo da mentira, pesca-se uma carpa de verdade." - Shakespeare

quarta-feira, 16 de abril de 2014

My kind of stuff (e... depois?)

escorregou pela branca porcelana, tal leoa marinha.
A água quente encharcou o seu corpo, mais do que já vinha, tenso e húmido, numa mistura entre ânsia e medo. 
Ficou quieta, dentro do seu fato ensopado, enrolado sobre si. Aguardava sinais do canto inverso da imensa banheira.
Uma neblina azulada, emaranhava-se ao centro, violava-lhe o cabelo solto, acariciava-o e depois zarpava entre a testa desfocando-lhe a visão.
Mas cedo, as águas calmas se agitaram. Abriram-se que nem portões, saindo encharcadas umas pernas esguias, tais serpentes surdas, atentas às vibrações fortes da sedução. E o nevoeiro fugiu, aterrorizado com a ondulação.
Descortinou-se uma mulher de pele muito branca de olhar negro e fios de cabelos muito escuros, que elevava o corpo pedinte, cuspindo de uns lábios gordos o desejo a ser saciada. Uma Naja perigosa, com sua vulva peçonhenta, encantada por contornos desconhecidos.
E insistente, por uma mão de dedos finos, decorados a anéis de pedras lustrosas que encandeavam os azulejos curiosos, alteava a céu aberto, um clitóris dilatado e choroso por lágrimas de espuma.
Arrepiou-se, respirou tremula ao embate da visão. Por momentos assustou-se com o tamanho e forma, pensou ser incapaz de corresponder ao que se propôs pelo frio sentido nas entranhas do seu ser, tão feminino. Achou que nem a flauta mais encantada a fazia cair sobre aquele monte de vénus. 
Não se desenovelava do seu traje, já transformado em camisa de forças. O corpo tinha sede, mas a mente era travada por uma razão de medo, igual ao embate com a cobra na savana seca.
Mas ali não era o deserto e água de todo rareava. Naquele ambiente azul celeste, era quarto, um quarto de banhos. Ali pingava a torneira, pingos sedentos que chamavam outros fios de água.
E ela, deixando-se ir na sinfonia da pinga, atordoada na neblina, inebriada pelo cheiro intenso a flores gulosas. Caiu, mergulhou no lago...


Nasci sensitiva e assim hei-de morrer, muito provavelmente... nós somos o que somos e não o que queríamos ser; não te parece?" - Florbela Espanca 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Propus à Vicio a escrita de um texto com base na mesma imagem (escolhida por ambas), agendado para publicação simultânea. Resultados certamente distintos.
O post da Vicio pode ser lido aqui

olha para mim quando te chamo

sabes tão bem e cheiras tão bem, sempre...
o teu sabor fica-me nos dedos pelos dias seguintes e cheiro-te neles. Deixo as minhas pálpebras fecharem lentamente quando os inalo e sonho-te, interpreto o que nunca consigo entender enquanto te toco. És intensa demais, misteriosa e dada. Choca-me, enche-me de um receio atroz, matas-me de medo de um dia arriscar te amar. 
E o simples era tão bom...

sabes tão bem e cheiras tão bem, sempre...
a tua pele recheia-me a vontade e roço-me nela, barro-me em ti como uma manteiga doce em pão seco que sou. E desejo ficar pegajoso de ti, envolto desse teu cheiro encorpado e seguro. Assustas-me, e eu sou tão parvo, que só consigo sonhar com paixão quando estou longe do teu corpo.
E a certeza é tanta à distância...

sabes tão bem e cheiras tão bem, sempre...
a tua voz pedia-me que te observasse, lembro-me. Achava que só te amava por dentro, para quê te encarar de frente. Ver-te e encontrar sinais não tão belos quanto os que tens nos ombros. Tremo com o que trazes nesse teu avesso. 
E agora, que não mais moras nos meus dedos, queria te cheirar, poder ter, e tanto te olhar...



domingo, 13 de abril de 2014

My kind of stuff


O telefone deu o sinal. O corpo desobediente começou a tremer. Não fazendo ideia da pessoa que iria ter a seu lado. 
O que  falar durante o percurso de carro, tornava tudo bem empolgante e envolvente, um misto de receio e excitamento. 
Mirou-se pela última vez ao espelho e achou-se bem bonita, recuperada do tempo em falta. Respirou fundo e desceu depressa de mais para o tamanho do salto.
O carro era de cor escura, a hora tardia não dava para distinguir muito mais, mas a luz do luar fazia brilhar a chapa bem polida.
Entrou no carro, sentou-se, ajeitou o vestido e finalmente olhou para ele.
Um homem grande, que sorriu, um sorriso calmo e estudado que se fechou ao proferir em jeito de agradecimento três palavras, salientando o facto de ela obedecer ao dress code. 
O silêncio imperou no carro de alta gama, onde nem os cavalos relinchavam de cansados.
A hora de viagem fora constrangedora, mas ela mantivera-se firme, dentro do seu vestido justo.
O corpo suado colava-lhe mais o tecido. E o seu perfume intensificou ao ponto de receber o único elogio da noite. "cheira bem", disse ele ao parar a viatura à porta do palacete e ao acendeu a luz, onde o espelho do pendura desceu automaticamente. Percebera que era para retocar a maquilhagem e assim o fez, nervosa. 
Aguardaram uns segundos e mais um homem de porte elegante veio apanha-la ao carro. Ouviu de soslaio, o afinal motorista confinar o desejo de uma boa noite. 
Acompanhou a elegante figura, que lhe guardara o casaco e mala. Ia de corpo envolto no solitário pano negro, justo demais e sem saber onde colocar as mão vazias.
Chegaram finalmente, depois de muito corredor labirinto e muitos metros de passadeira.
Abriu-lhe a porta e desejou-lhe igualmente boa noite.
O quarto era uma sombra incompleta, com um forte aroma floral. Ficou imóvel. Ao fim de alguns segundos, uma voz feminina mandou-a chegar-se à  porta, onde nascia uma luz envergonhada. Acedeu e aproximou-se devagar.
Uma mulher, banhava-se numa banheira longa. O nevoeiro não deixava ver a sua inteira beleza.
Pediu que se chegasse mais perto. Deixou-se observar no seu traje bem negro. A voz ordenou que soltasse o cabelo e que assim entrasse na água fervente. 
Abandonou os sapatos à margem daquele charco com vida e de vestido entrou...   

"Eu gosto de ser surpreendida, talvez seja pelo tédio rotineiro da minha vida, não costumo viver muitas surpresas, talvez a mais esperada esteja a caminho."Thalita B.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Baby Suicida, não só manda vir desafios, como também é dada aos de outras casas desta Aldeia, ora cliquem na imagem "oh" se faz favor:


http://undiscloseddesires1971.blogspot.pt/2014/04/vontade-de.html

Desafio: depois conta-me como foi.

do Blogue - Undiscloseddesires

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Obrigada a todas as meninas, que são as mais sensuais da Aldeia, pela participação ativa ao desafio da baby suicida.
Quanto aos cavalheiros e público em geral, o nosso igual agradecimento, esperando que, agora, tenham oportunidade de estadia prolongada nas casas destas senhoras, tão quentes e apetecíveis. Estou certa que elas dispõem de maravilhosa literatura, colmatando assim os vossos mais ínfimos desejos.
  
Texto 1 - "Vontades" - MissM 
Texto 2 - "Flagrante" - Não se quer identificar
Texto 3 - "Pego-te com jeito"- AC, que mora aqui
Texto 4 - "Sempre podes te vir hoje" - A secretária, que mora aqui
Texto 5 - "Vontade cega"- Nikita, que mora aqui
Texto 6 - "Já não há vazio"- Imprópria, que mora aqui
Texto 7 - "Desconhecidos" - Sil Maria, que mora aqui
Texto 8 - " Bebo de ti" - MissM 
Texto 9 - "Depois de te beijar no canto da boca" - nAnonima, que mora aqui
Texto 10 - "If I buy you toys I get to see you use them?" - Vício, que mora aqui
Texto 11 - "Puta"- (Ela), que mora aqui
Texto 12 - "tão oferecida, tão dada... a Clara" - Lugar Lotado, que mora aqui


terça-feira, 8 de abril de 2014

tão oferecida, tão dada... a Clara

Desafio - texto 12

jamais a esqueciam. Semblante armazenado em qualquer um, num só neurónio, desenhando linhas de sorrisos astutos e atrevidos.
Silhueta em memória, despertando estímulos preguiçosos, conduzindo-os ao prazer.  
Sonhavam-na pela manhã, prolongando minutos ao erguer, aclarando o raiar do amanhecer.
Recordavam-na despojada, majestosa figura, segura em beleza e acre em certeza.
Desejavam-na com fome, porém na certeza de nunca o apetite sucumbir, acrescendo a sede em saciar.
E queriam-na, entregando-se em egos fracos, nasciam pedintes de afectos demorados, trasbordantes sensações breves.
Ser dela seria sempre em enlace fantasioso, desprovido de sentido e força.
Sobre a imagem que era dela, acariciavam-se devagar, agora já pela noite insuportavelmente silenciosa. Amavam-na sem alcance, numa inércia solitária e frustrante, como antes.
E Ela dançava em suas mentes, movendo sumptuosa mentira, tal golpe de Éden. E Eles se viam atordoados, visualização acorrentada e incompleta num vir.
Respiravam depois devagar, pediam seu doce regresso, um recomeçar, talvez um começo que nunca fora um início. Fazia já tanto tempo...
O medo povoou-os , de que ela não sairia de suas cabeças, eles não mais suportaram, tanta noite Clara.