Sempre diferente. Era, sempre diferente, ainda que o dia e hora fossem sempre o mesmo.
Uma rotina sem marcação, subiam ao quarto sem atenção aos degraus, entravam no quarto sem estranhar a luminosidade e conheciam a cama que era a mesma de outras alturas, bem longínquas, onde se gravou um futuro sem fim, num desejo que nunca morrera.
O dia do costume marcava cruzes aos calendários anuais.
Sempre sedentos do que faltava. Amavam-se sem conotação de amantes sociais e fodiam como se o próximo xis nunca viesse a ser cruzado. Não tinham obrigações ou rotinas de sexo, não se cumpria a exigencias. Não existia limitações ou travamentos, mesmo nos dias lesados por tristezas emocionais.
Acontecia, por vezes, um ser barrado pelos constrangimentos da vida, que o impediria de comparecer àquele quarto de sempre. Ainda assim, não nasciam sentimentos de troca, de perda ou de morte. Despi-se só, tocava-se, amavam-se ao sabor dos cheiros emaranhados pela última vez e descia feliz à cidade.
"A beleza do espírito, causa admiração; a da alma, estima; e a do corpo, amor." Bernard Fontenelle









